
Carta de Posicionamento Global das Juventudes
CARTA DE POSICIONAMENTO
RAÍZES QUE CRIAM O MUNDO
Belém do Pará, Amazônia, COP30
Do Território para o Mundo
Nós, jovens líderes das Amazônias e das juventudes globais, reunidos no epicentro da crise climática, reafirmamos que nossa ancestralidade é a força motriz que dá significado à nossa luta. Lutamos a partir de nossos territórios, mas nossos sonhos não admitem fronteiras. Entendemos que 2025 é o ponto de inflexão histórica para limitar o aquecimento global 1,5Cº, e não aceitaremos mais ser tratados como meros coadjuvantes em decisões que moldam nosso futuro.
A crise climática não é uma ameaça distante; ela é um legado oneroso que já afeta 40 milhões de crianças e adolescentes no Brasil. Denunciamos a invisibilidade estratégica das juventudes, cuja participação nas decisões políticas permanece periférica e consultiva, sem poder deliberativo real. Também expressamos o racismo climático e os preconceitos estruturais que invalidam as competências de jovens indígenas, quilombolas, periféricos e LGBTQIAPN+. E por fim, a falta de transparência e de acesso direto a mecanismos de financiamento para iniciativas lideradas por jovens nos territórios.
De maneira inegociável para que a Transição Justa seja efetiva, exigimos o Protagonismo Deliberativo: A transição da "negociação" para a "implementação" deve incluir jovens nas mesas de decisão de fundos climáticos e conselhos gestores. Além disso, a Justiça Intergeracional: Políticas públicas que integrem renda, educação e distribuição de governança energética, garantindo que ninguém seja deixado para trás. É também imprescindível o Financiamento Estruturado: Criação de orçamentos específicos e mecanismos de crédito para a economia jovem da floresta e soluções desenvolvidas por povos tradicionais. E a Educação e Saúde Mental: Inclusão de saberes ancestrais e ciência no currículo formal, aliada a políticas de acolhimento para enfrentar o esgotamento das lideranças jovens.
Assim, Inspirados na tradição indígena do Mutirão (Motirõ), convocamos governos, o setor privado e a sociedade civil para uma era de ação coletiva e descentralizada. A COP na Amazônia deve ser o marco onde a sabedoria ancestral e as tecnologias nascentes se fundem para criar prosperidade compartilhada e estabilidade climática. Não herdamos apenas os desafios; lideramos as soluções. Exigimos que o legado da COP30 em Belém seja medido não por palavras, mas pela dignidade e pelas oportunidades reais de trabalho verde e justo para as gerações presentes e futuras.
Assinam esta carta:
Juventudes da Amazônia Legal, Global Youth Coalition e Coletivos de Jovens Líderes de 3 Continentes.



